quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Seguranças do Metrô de SP animam usuários com espetáculo musical

Os usuários do Metrô de São Paulo que passavam pela Estação Luz na última quinta-feira, 31 de julho, por volta das 18 horas, tiveram uma grande surpresa em pleno horário de pico. Nada de superlotação das plataformas, nem trens operando em velocidade reduzida. O quê surpreendeu as pessoas que transitavam naquele local foi a super afinada e bem entrosada Banda dos Seguranças do Metrô de São Paulo, que animou crianças e adultos no final do expediente.
 

Uma multidão se aglomerava. Algumas pessoas chegavam meio que desorientadas a procura de onde vinha o som musical, ecoado ao longo da estação. Quando viam a aglomeração, se aproximavam, e olhavam por cima desta. Mas, conseguir o melhor ângulo de visão para ver a Banda dos Seguranças do Metrô em ação era, praticamente, impossível. Restava sacar o celular e gravar o show, que estava contagiando toda aquela plateia de usuários.
 

Realmente, a banda conseguiu animar todas aquelas pessoas que vinham fatigadas do trabalho. Elas cantavam as canções do repertório variado da Banda dos Seguranças do Metrô, que ia de músicas religiosas até rock internacional. Quem mais animava e puxava as palmas era o vocalista do grupo, acompanhado pelos seus companheiros: tecladista, percussionista, contrabaixista, guitarrista e baterista, além dos metais. Todos os músicos estavam devidamente trajados com os seus uniformes de labor. Na ocasião, provavelmente, haviam outros instrumentistas, mas, de fato, o aglomerado de gente era grande e impedia a visualização completa da banda.
 

Com a capacidade de cativar a grande plateia de usuários do Metrô, dificilmente as pessoas que passavam pela Estação da Luz não paravam para escutar a banda dos seguranças. “Todas as vezes que eu vejo eles tocando, eu paro para ouvir”, conta a nutricionista Ilvania Custódio, de 35 anos, que vinha do trabalho.

Assim como Ilvania, o vendedor Jair Rodrigues, 41 anos, também estava voltando do batente e, de longe, acompanhava o espetáculo musical. “Uma boa música é ótimo para o pessoal que vem cansado do serviço ter uma cultura”, destaca Jair . Após curtir um pouco do espetáculo musical, o vendedor brinca: “Vô lá pegar o trenzão lotado, agora”.
 

Confira no vídeo abaixo o clima contagiante do show da Banda dos Seguranças do Metrô de SP.


quarta-feira, 2 de julho de 2014

Moradores e skatistas divergem sobre uso dos espaços da Praça Roosevelt

Quando pensamos em praças, imaginamos que sejam lugares de atividades urbanas, encontros e convivência entre as diversidades. Porém, neste último item, uma das praças mais conhecidas da cidade de São Paulo, a Praça Roosevelt - que já passou por várias reformas - convive diariamente com um conflito entre moradores do local e os skatistas. 

As principais reclamações dos moradores são o barulho provocado pelos skatistas durante a noite e o fato de os mesmos transitarem em locais onde apenas deveriam circular pedestres, ciclistas etc. “Quem mora ali não dorme”, afirma Francis Negreiros, moradora de um dos prédios que rodeiam a Roosevelt, que já chegou a ser atropelada por um skatista. “O cara [skatista] quase quebrou a minha perna com o skate”, diz.

“Queremos que seja respeitado o compromisso da Prefeitura, feito desde a administração anterior, de que a praça teria um espaço para cada tribo ou para cada setor”, explica Marta Lilia Porta, da Associação de Moradores.

Espaço destinado a prática do skate na Praça Roosevelt
Contudo, apesar de haver um local na praça destinado a prática do skate, próximo a Rua da Consolação, o espaço torna-se pequeno para a grande quantidade de praticantes deste esporte, que é uma das tradições da Roosevelt. “Lá embaixo eles deixaram um pedaço, aquele ‘quadrado’, que é próprio para andar de skate, mas pela quantidade de gente que vem andar, acaba que sendo pequeno”, comenta o skatista Henrique de Oliveira.

Um dos pontos em que as opiniões dos skatistas e moradores são iguais é a de que o projeto da atual Praça Roosevelt poderia ter sido melhor, para que todos os frequentadores do local pudessem conviver de forma harmoniosa. “Quem projetou a praça não levou em consideração o histórico da praça”, afirma Raimunda Monteiro, moradora da região, referindo-se ao fato de que, durante alguns anos, o local esteve abandonado e sendo apenas frequentado pelos praticantes do skate, tornando-se um “point” do esporte na cidade.

Segundo Maria Porta, os moradores idosos também fazem queixas com relação aos skatistas. “Os idosos que moram aqui estão com medo de descer [a praça], porque já foram atropelados, insultados. Ficaram com medo. Então, não conseguem usar a praça”, diz. “A gente precisa fazer um espaço inter-geracional, ou seja, em que esses dois públicos [idosos e skatistas] consigam conversar”, sugere Raimunda.

Os conflitos mostram que há grupos querendo utilizar a praça e conviver com as diversidades culturais da Roosevelt, porém ainda não chegaram a um consenso. “As pessoas estão querendo experiências urbanas, morar em lugares que propiciem experiência urbana, cultural, sociabilidades”, afirma o arquiteto e urbanista Kazuo Nakano. 

Conselho Gestor 
Para resolver o conflito entre os grupos que frequentam a Roosevelt e propiciar a experiência urbana desejada pelas pessoas, a Subprefeitura da Sé realizou, em março, um pleito que elegeu os representantes da sociedade civil – Associação de Moradores, movimentos artísticos e usuários da praça – no Conselho Gestor da Praça Roosevelt, que terá a missão de promover a convivência e o diálogo entre os frequentadores do local. Este é o primeiro conselho gestor de praça da cidade de São Paulo. “Solução, pacote pronto, acho que nenhum de nós tem, nem a Prefeitura. Eu acho que tem que ter espaço de diálogo, de novo, mediação de conflito”, conclui Raimunda Monteiro, eleita conselheira gestora. 

*Matéria escrita em março de 2014

terça-feira, 1 de julho de 2014

Organizações auxiliam pessoas com deficiência a entrar no mercado de trabalho

Apesar de passados mais de 20 anos da aprovação do artigo 93 da Lei nº 8.213, de 1.991, - conhecida como Lei de Cotas - que obriga as empresas com 100 ou mais funcionários a reservar uma porcentagem dos cargos às pessoas com deficiência, elas ainda encontram dificuldades para entrar no mercado de trabalho. Neste contexto, organizações sem fins-lucrativos tornam-se intermediadoras entre a pessoa com deficiência e os empregadores.

Este é o caso do Instituto Pró-Cidadania (IPC), que oferece treinamento para as pessoas e às integram ao mercado de trabalho. “Nós capacitamos, qualificamos e encontramos oportunidades de trabalho para elas”, afirma Sandra Bosquilia, do Departamento de Projetos Especiais da instituição.

De acordo com Bosquilia, o IPC busca encontrar as habilidades e áreas de atuação no mercado de trabalho onde a pessoa com deficiência poderá desenvolver o potencial dela. “Cada pessoa tem um potencial diferenciado. Não é porque ela tem uma deficiência que ela seja ineficiente”, afirma.

Segundo José Carlos do Carmo, coordenador do Programa de Inclusão da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em São Paulo (SRTE/SP), um dos argumentos utilizados pelas empresas para justificar o não cumprimento da Lei de Cotas é a falta de qualificação da pessoa com deficiência. “Se a empresa não quer contratar porque não tem gente capacitada, então contrate e capacite”, argumenta.

Contudo, ainda de acordo com José do Carmo, há empregadores que contratam a pessoa com deficiência e investem em cursos de capacitação, mas não a incluem na rotina diária da empresa. “A pessoa termina uma capacitação, vai para outra capacitação e não põe os pés na empresa”, explica.

Na última semana, o Centro de Apoio ao Trabalhador (CAT), da Secretaria Municipal de Desenvolvimento, Trabalho e Empreendedorismo de São Paulo (SDTE) anunciou a abertura de 675 vagas para profissionais com deficiência ou mobilidade reduzida. Deste total, 341 postos de trabalho eram destinados ao cargo de recepcionista atendente temporário.

Para Bosquilia, geralmente, as vagas oferecidas pelas empresas às pessoas com deficiência não são para cargos como, por exemplo, de gerência, mas para setores operacionais. Ela, também, desmente o argumento de que falta mão de obra qualificada. “Nós temos milhares de alunos que terminaram a faculdade, tem duas ou três graduações, falam dois ou três idiomas, com muito conhecimento, que já fizeram até cursos fora [do país]”.

Porém, nem sempre as empresas não cumprem o que está previsto na Lei de Cotas por má intenção, mas, segundo José do Carmo, por se manterem em uma posição cômoda. “As empresas, muitas vezes, alegam isso [falta de mão de obra], e a gente ouve isso com muita frequência, nem sempre é por maldade, não porque a empresa não quer contratar, mas no mínimo eu diria que seja por uma situação de comodidade”.

*Publicado também na Rede Saci em 8 de maio de 2014

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Entrevista: Bruno Paes Manso

Em entrevista coletiva a estudantes de comunicação do 7º Curso Descobrir São Paulo, Descobrir-se Repórter – projeto da Oboré –, na Câmara Municipal, o jornalista e blogueiro do portal do jornal O Estado de S.Paulo, Bruno Paes Manso, comentou sobre a cobertura de segurança pública da mídia brasileira.

Segundo Bruno Manso, alguns programas da mídia brasileira que fazem cobertura policial, como o Cidade Alerta, apresentado por Marcelo Resende; e Brasil Urgente, por José Luiz Datena; não são jornalísticos, apenas “entretêm” o público. “Acho que esses programas são programas de entretenimento e não são programas de jornalismo”, afirma.

Para Manso, alguns programas fazem entretenimento,
não jornalismo
Manso compara os programas às execuções de penas de mortes realizadas em praça pública na Idade Média, as quais eram assistidas por toda a população quase como um “entretenimento” e utilizadas para se fazer justiça e exemplar o povo. “O Datena e o Marcelo Resende fazêm um pouco isso. O Brasil é um país sem justiça, onde as pessoas sentem falta de punição, elas querem um bode expiatório, querem se sentir seguras, elas precisam disso. E eles fazem o papel do palhaço, que é o carrasco que vai enforcar as pessoas. De certa forma, simbolizam isso. Assim como outros programas sensacionalistas que lidam com essa questão a partir do medo que as pessoas sentem e a partir do papel de carrasco que eles fazem pra lidar com isso e representar o justiceiro da sociedade. Isso é entretenimento para mim, isso não é jornalismo”, justifica.

Para Bruno Paes Manso, os jornalistas que cobrem segurança pública devem saber compreender o discurso das fontes e olhar o fato não de forma isolada, mas contextualizá-lo para tentar entendê-lo. “Você [precisa] se colocar no lugar da pessoa que está te contando e tentar entender o que ela está te falando, o que está sentindo, as razões dela”, diz. “Claro que eu não vou concordar com o cara que matou trinta pessoas, mas é necessário entender a racionalidade e o discurso”, completa.

A boa cobertura jornalística de segurança pública, de acordo com Bruno Manso, é aquela que busca, após ter o contato com as fontes, se distanciar do fato e olhar por “cima” para enxergar o contexto e tentar entender todos os fatores. “Você se afasta e tenta entender os conflitos que estão em jogo. Você tenta descrever o fato de uma forma mais objetiva para falar sobre os conflitos. Por que esses conflitos estão acontecendo? Por que ele está matando? Por que a justiça não está agindo? Você vê de cima a coisa”, explica.

No portal do Estadão, Bruno Manso publica no blog “SP no Divã” textos sobre segurança pública. De acordo com Manso, o objetivo do blog é fazer as pessoas enxergarem e pensar a respeito dos problemas da cidade para tentar resolvê-los. “Quando você procura um psiquiatra ou analista, você está com problemas, quer pensar sobre sua vida. Então, você senta lá e quer começar uma investigação sobre os seus ‘podres’”. Desta forma, “é possível encará-los de uma maneira diferente”, comenta. 

 *Publicado também na Casa dos Foca

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Entrevista: Eduardo Belo

Após enfrentar o caótico trânsito da cidade de São Paulo, agravado pelos protestos nas principais vias, Eduardo Belo – colaborador do Valor Econômico e da editoria de economia da Revista Brasileiros – conversou nesta quarta-feira, 14 de maio, com alunos do curso de jornalismo da Universidade Anhembi Morumbi (UAM) sobre o tema Grande Reportagem. Belo falou também a respeito da polêmica das biografias não-autorizadas e a relação entre jornal impresso e internet.

Segundo o jornalista, uma grande reportagem não necessariamente deve abordar um assunto que ainda não foi tratado pela imprensa, porém é preciso que esta tenha um ângulo diferente das demais. “O que vai fazer a diferença é a abordagem e o tratamento original”, afirma Eduardo Belo.

Belo conversou com estudantes da UAM
sobre grande reportagem
Além de um recorte preciso do assunto abordado, é necessário fazer pesquisas exaustivas relacionadas à temática. Essa ação de pesquisar, de acordo com Belo, aprofunda o conhecimento do repórter e dá embasamento para as perguntas feitas às fontes. Ainda, é necessário ler tudo o que já foi publicado a respeito do tema, porque isso ajudará, não somente a publicar algo original, mas, “principalmente, a não fazer uma publicação errada”, diz Belo.

Desta forma, o repórter tem que sempre se preocupar em apurar se os dados coletados são, de fato, verdadeiros. Contudo, não basta apenas preocupar-se com os números e estatísticas, mas também com os acontecimentos. “É necessário que o jornalista não só se preocupe com a exatidão dos números e dos dados, mas também com a dos fatos”, aconselha, pois o jornalista deve sempre buscar fazer a versão mais aproximada da verdade.

Por ser um jornalista especializado na área de economia, Belo conta que uma das dificuldades dos jornalistas especializados é a dependência de informação das mesmas fontes. Geralmente, é prática comum nas redações ter duas ou três fontes para falar sobre determinados assuntos, porém isso torna o jornalista dependente dessa informação, que pode ser errônea.

Biografias
A polêmica gerada pelas biografias não-autorizadas, no começo do ano, também pautou a conversa com os estudantes de jornalismo da UAM. Eduardo Belo, em parceria com a jornalista Ana Claudia Landi, escreveu Apenas uma Garotinha: A História de Cássia Eller e, segundo ele, encontrou algumas dificuldades para fazer a obra sobre a cantora. Para Belo, a dependência da autorização do biografado é censura. “O artista vive do que se não da sua imagem?”, justifica. Contudo, o biógrafo deve ter a consciência de que nem tudo tem a necessidade de ser publicado, pois muitos fatos a respeito do biografado podem apenas estereotipar a imagem deste e não acrescentar informações relevantes. “Acredito que cabe um bom senso”, orienta.

Jornal impresso x Internet
Os jornais impresso, atualmente, publicam muitas informações que o leitor já obteve acessando a internet. Sendo assim, algumas matérias tornam-se redundantes. “Essas coisas que afetam o dia a dia do cidadão, e que podem ser obtidas em um clique, deixou de ser prioridade do jornal impresso”, explica Belo. Para ele, “o jornalismo ainda não encontrou um modelo econômico para conviver com internet”.
Uma das alternativas para diferenciar o jornal da internet e aumentar as vendas do primeiro é a aposta na produção de grandes reportagens, pois, apesar da relutância dos empresários do ramo jornalístico por causa dos custos, a grande reportagem pode ainda despertar o interesse dos leitores. “As pessoas talvez não sintam falta [da grande reportagem], mas se você começar a oferecer, elas vão se interessar”, diz o jornalista.

Conselho
Ao final da conversa com os estudantes, Eduardo Belo ressaltou a importância de o repórter não confiar na primeira informação que chega e recusar “coisas fáceis”, não apuradas corretamente. Sobre isso, Belo deixou um conselho aos jornalistas em formação: “Façam-se respeitar como jornalistas”.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Evento de posse do Conselho Participativo Municipal de São Paulo

No mesmo dia em que a cidade de São Paulo completa 460 anos, 1.113 conselheiros do Conselho Participativo Municipal da capital paulista, eleitos em dezembro, tomaram posse dos cargos. São representantes da sociedade civil que, durante dois anos, irão fiscalizar, analisar e propor ações para a administração municipal do seu distrito. Confira na reportagem.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Falha de trem causa superlotação na estação Luz

De acordo com a Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô), falha de trem na estação Vila Mariana prejudicou o sistema de circulação dos trens e causou superlotação de usuários nas plataformas das estações da Linha 1 – Azul, sentido Tucuruvi, por volta das 18h30, desta segunda-feira, 27 de janeiro.

Na estação Luz, alguns usuários, por conta da demora das locomotivas, sentaram nas escadas e no chão. Outros, foram em direção às plataformas para aguardar a chegada dos trens. Desta forma, não demorou muito tempo para que o local começa-se a lotar de pessoas.

Plataformas da estação Luz encheram-se de passageiros
Quando começaram a chegar os primeiros trens, o intervalo entre um trem e outro era de, em média, cinco minutos. Um dos fatores que fez com que as locomotivas demorassem à atender as outras estações foi a dificuldade de fechar as portas dos vagões, por conta da grande quantidade de usuários. Também, passageiros na plataforma de desembarque tentavam embarcar nos trens, porém causaram mais atraso no sistema.

A situação começou a ser normalizada por volta das 19 horas, quando as plataformas ficaram um pouco mais vazias e a velocidade da circulação dos trens aumentou.