quarta-feira, 2 de julho de 2014

Moradores e skatistas divergem sobre uso dos espaços da Praça Roosevelt

Quando pensamos em praças, imaginamos que sejam lugares de atividades urbanas, encontros e convivência entre as diversidades. Porém, neste último item, uma das praças mais conhecidas da cidade de São Paulo, a Praça Roosevelt - que já passou por várias reformas - convive diariamente com um conflito entre moradores do local e os skatistas. 

As principais reclamações dos moradores são o barulho provocado pelos skatistas durante a noite e o fato de os mesmos transitarem em locais onde apenas deveriam circular pedestres, ciclistas etc. “Quem mora ali não dorme”, afirma Francis Negreiros, moradora de um dos prédios que rodeiam a Roosevelt, que já chegou a ser atropelada por um skatista. “O cara [skatista] quase quebrou a minha perna com o skate”, diz.

“Queremos que seja respeitado o compromisso da Prefeitura, feito desde a administração anterior, de que a praça teria um espaço para cada tribo ou para cada setor”, explica Marta Lilia Porta, da Associação de Moradores.

Espaço destinado a prática do skate na Praça Roosevelt
Contudo, apesar de haver um local na praça destinado a prática do skate, próximo a Rua da Consolação, o espaço torna-se pequeno para a grande quantidade de praticantes deste esporte, que é uma das tradições da Roosevelt. “Lá embaixo eles deixaram um pedaço, aquele ‘quadrado’, que é próprio para andar de skate, mas pela quantidade de gente que vem andar, acaba que sendo pequeno”, comenta o skatista Henrique de Oliveira.

Um dos pontos em que as opiniões dos skatistas e moradores são iguais é a de que o projeto da atual Praça Roosevelt poderia ter sido melhor, para que todos os frequentadores do local pudessem conviver de forma harmoniosa. “Quem projetou a praça não levou em consideração o histórico da praça”, afirma Raimunda Monteiro, moradora da região, referindo-se ao fato de que, durante alguns anos, o local esteve abandonado e sendo apenas frequentado pelos praticantes do skate, tornando-se um “point” do esporte na cidade.

Segundo Maria Porta, os moradores idosos também fazem queixas com relação aos skatistas. “Os idosos que moram aqui estão com medo de descer [a praça], porque já foram atropelados, insultados. Ficaram com medo. Então, não conseguem usar a praça”, diz. “A gente precisa fazer um espaço inter-geracional, ou seja, em que esses dois públicos [idosos e skatistas] consigam conversar”, sugere Raimunda.

Os conflitos mostram que há grupos querendo utilizar a praça e conviver com as diversidades culturais da Roosevelt, porém ainda não chegaram a um consenso. “As pessoas estão querendo experiências urbanas, morar em lugares que propiciem experiência urbana, cultural, sociabilidades”, afirma o arquiteto e urbanista Kazuo Nakano. 

Conselho Gestor 
Para resolver o conflito entre os grupos que frequentam a Roosevelt e propiciar a experiência urbana desejada pelas pessoas, a Subprefeitura da Sé realizou, em março, um pleito que elegeu os representantes da sociedade civil – Associação de Moradores, movimentos artísticos e usuários da praça – no Conselho Gestor da Praça Roosevelt, que terá a missão de promover a convivência e o diálogo entre os frequentadores do local. Este é o primeiro conselho gestor de praça da cidade de São Paulo. “Solução, pacote pronto, acho que nenhum de nós tem, nem a Prefeitura. Eu acho que tem que ter espaço de diálogo, de novo, mediação de conflito”, conclui Raimunda Monteiro, eleita conselheira gestora. 

*Matéria escrita em março de 2014

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