Apesar de
passados mais de 20 anos da aprovação do artigo 93 da Lei nº 8.213, de 1.991, -
conhecida como Lei de Cotas - que obriga as empresas com 100 ou mais
funcionários a reservar uma porcentagem dos cargos às pessoas com deficiência,
elas ainda encontram dificuldades para entrar no mercado de trabalho. Neste
contexto, organizações sem fins-lucrativos tornam-se intermediadoras entre a
pessoa com deficiência e os empregadores.
Este é o caso
do Instituto Pró-Cidadania (IPC), que oferece treinamento para as pessoas e às
integram ao mercado de trabalho. “Nós capacitamos, qualificamos e encontramos
oportunidades de trabalho para elas”, afirma Sandra Bosquilia, do Departamento
de Projetos Especiais da instituição.
De acordo com
Bosquilia, o IPC busca encontrar as habilidades e áreas de atuação no mercado
de trabalho onde a pessoa com deficiência poderá desenvolver o potencial dela.
“Cada pessoa tem um potencial diferenciado. Não é porque ela tem uma
deficiência que ela seja ineficiente”, afirma.
Segundo José
Carlos do Carmo, coordenador do Programa de Inclusão da Superintendência
Regional do Trabalho e Emprego em São Paulo (SRTE/SP), um dos argumentos
utilizados pelas empresas para justificar o não cumprimento da Lei de Cotas é a
falta de qualificação da pessoa com deficiência. “Se a empresa não quer contratar
porque não tem gente capacitada, então contrate e capacite”, argumenta.
Contudo, ainda
de acordo com José do Carmo, há empregadores que contratam a pessoa com
deficiência e investem em cursos de capacitação, mas não a incluem na rotina
diária da empresa. “A pessoa termina uma capacitação, vai para outra
capacitação e não põe os pés na empresa”, explica.
Na última
semana, o Centro de Apoio ao Trabalhador (CAT), da Secretaria Municipal de
Desenvolvimento, Trabalho e Empreendedorismo de São Paulo (SDTE) anunciou a
abertura de 675 vagas para profissionais com deficiência ou mobilidade
reduzida. Deste total, 341 postos de trabalho eram destinados ao cargo de
recepcionista atendente temporário.
Para
Bosquilia, geralmente, as vagas oferecidas pelas empresas às pessoas com
deficiência não são para cargos como, por exemplo, de gerência, mas para
setores operacionais. Ela, também, desmente o argumento de que falta mão de
obra qualificada. “Nós temos milhares de alunos que terminaram a faculdade, tem
duas ou três graduações, falam dois ou três idiomas, com muito conhecimento,
que já fizeram até cursos fora [do país]”.
Porém, nem
sempre as empresas não cumprem o que está previsto na Lei de Cotas por má
intenção, mas, segundo José do Carmo, por se manterem em uma posição cômoda.
“As empresas, muitas vezes, alegam isso [falta de mão de obra], e a gente ouve
isso com muita frequência, nem sempre é por maldade, não porque a empresa não
quer contratar, mas no mínimo eu diria que seja por uma situação de
comodidade”.
*Publicado também na Rede Saci em 8 de maio de 2014