sábado, 25 de julho de 2015

130 KM: Vida ao Extremo

O caos de uma metrópole mostrado nos passos e descrito nas palavras de quatro pessoas que sentem na pele os problemas de morar nas periferias de São Paulo. A quase inexistente oferta de emprego e os rastros de uma cidade mal estruturada ao longo das décadas se refletem nas jornadas diárias de Maria Ednete, Heraldo, Flávia e Mateus, moradores dos quatro bairros extremos da capital paulista - Marsilac, Cidade Tiradentes, Tremembé e Raposo Tavares - que desafiam a imobilidade urbana da cidade. Assim como milhares de paulistanos, os quatro enfrentam longas distâncias, congestionamentos e transportes coletivos precários para chegar ao emprego na região central, motivados pelos anseios por uma vida melhor.

Roteiro e direção: Rodolfo de Macedo e Luciano Trindade

Produção: Rodolfo de Macedo, Luciano Trindade, Wellington Monteiro, Felipe Affonso, Caio Pelegrine e Alexandre Garcia

Orientação: Eliane Basso

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Atenção! Mulheres ao volante

Elas são apaixonadas por carros, mas não se limitam aos modelos comuns. O documentário “Atenção! Mulheres ao volante”, produzido para o curso de jornalismo da Universidade Anhembi Morumbi, mostra o lado feminino do tuning, que é a prática de personalizar veículos automotivos. Histórias curiosas, experiências de infância, a rotina e a luta contra o preconceito, narradas por quatro mulheres que representam um grupo cada vez mais crescente e que desperta olhares curiosos por onde passa.

Autores: Alexandre Garcia, Caio Pelegrine, Felipe Affonso, Luciano Trindade, Rodolfo de Macedo e Wellington Monteiro.

Orientação: Profa. Eliane Basso.


quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Bairros de Mairiporã são afetados pela redução da pressão na rede de água

Por determinação da Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp), a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) publicou em seu site, nesta quarta-feira (14), uma lista com os bairros de cidades da Região Metropolitana de São Paulo e capital afetados pela redução da pressão nas tubulações de água.

Em Mairiporã, segundo a listagem,13 distritos foram atingidos: Vila Machado, Parque Bariloche, Jardim São Gonçalo, Lagoa do Barreiro, Jardim Suisso, Jardim Capuavinha, Parque Náutico, Centro, Chácara Arantes, Jardim Spada, Jardim Sandra, Ype Vile e Terra Preta.

13 distritos de Mairiporã foram afetados pela redução
da pressão nas tubulações da rede de água
De acordo com a empresa, a redução de pressão nas tubulações de água “é uma tecnologia praticada rotineiramente pelas companhias de saneamento”. A medida, por conta da estiagem que atinge o Estado de São Paulo, passou a ser intensificada pela Sabesp.

A ação com o intuito de reduzir perdas, segundo a Companhia, é realizada durante os períodos da noite e madrugada, quando a “grande maioria da população dorme e as atividades econômicas praticamente inexistem”.

Usuários que tenham caixa-de-água e instalações internas adequadas em suas casas, de acordo com a Sabesp, não perceberão a redução da pressão na rede de abastecimento.

Confira a lista completa dos distritos de cidades do Estado de São Paulo afetados pela redução da pressão nas tubulações.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Seguranças do Metrô de SP animam usuários com espetáculo musical

Os usuários do Metrô de São Paulo que passavam pela Estação Luz na última quinta-feira, 31 de julho, por volta das 18 horas, tiveram uma grande surpresa em pleno horário de pico. Nada de superlotação das plataformas, nem trens operando em velocidade reduzida. O quê surpreendeu as pessoas que transitavam naquele local foi a super afinada e bem entrosada Banda dos Seguranças do Metrô de São Paulo, que animou crianças e adultos no final do expediente.
 

Uma multidão se aglomerava. Algumas pessoas chegavam meio que desorientadas a procura de onde vinha o som musical, ecoado ao longo da estação. Quando viam a aglomeração, se aproximavam, e olhavam por cima desta. Mas, conseguir o melhor ângulo de visão para ver a Banda dos Seguranças do Metrô em ação era, praticamente, impossível. Restava sacar o celular e gravar o show, que estava contagiando toda aquela plateia de usuários.
 

Realmente, a banda conseguiu animar todas aquelas pessoas que vinham fatigadas do trabalho. Elas cantavam as canções do repertório variado da Banda dos Seguranças do Metrô, que ia de músicas religiosas até rock internacional. Quem mais animava e puxava as palmas era o vocalista do grupo, acompanhado pelos seus companheiros: tecladista, percussionista, contrabaixista, guitarrista e baterista, além dos metais. Todos os músicos estavam devidamente trajados com os seus uniformes de labor. Na ocasião, provavelmente, haviam outros instrumentistas, mas, de fato, o aglomerado de gente era grande e impedia a visualização completa da banda.
 

Com a capacidade de cativar a grande plateia de usuários do Metrô, dificilmente as pessoas que passavam pela Estação da Luz não paravam para escutar a banda dos seguranças. “Todas as vezes que eu vejo eles tocando, eu paro para ouvir”, conta a nutricionista Ilvania Custódio, de 35 anos, que vinha do trabalho.

Assim como Ilvania, o vendedor Jair Rodrigues, 41 anos, também estava voltando do batente e, de longe, acompanhava o espetáculo musical. “Uma boa música é ótimo para o pessoal que vem cansado do serviço ter uma cultura”, destaca Jair . Após curtir um pouco do espetáculo musical, o vendedor brinca: “Vô lá pegar o trenzão lotado, agora”.
 

Confira no vídeo abaixo o clima contagiante do show da Banda dos Seguranças do Metrô de SP.


quarta-feira, 2 de julho de 2014

Moradores e skatistas divergem sobre uso dos espaços da Praça Roosevelt

Quando pensamos em praças, imaginamos que sejam lugares de atividades urbanas, encontros e convivência entre as diversidades. Porém, neste último item, uma das praças mais conhecidas da cidade de São Paulo, a Praça Roosevelt - que já passou por várias reformas - convive diariamente com um conflito entre moradores do local e os skatistas. 

As principais reclamações dos moradores são o barulho provocado pelos skatistas durante a noite e o fato de os mesmos transitarem em locais onde apenas deveriam circular pedestres, ciclistas etc. “Quem mora ali não dorme”, afirma Francis Negreiros, moradora de um dos prédios que rodeiam a Roosevelt, que já chegou a ser atropelada por um skatista. “O cara [skatista] quase quebrou a minha perna com o skate”, diz.

“Queremos que seja respeitado o compromisso da Prefeitura, feito desde a administração anterior, de que a praça teria um espaço para cada tribo ou para cada setor”, explica Marta Lilia Porta, da Associação de Moradores.

Espaço destinado a prática do skate na Praça Roosevelt
Contudo, apesar de haver um local na praça destinado a prática do skate, próximo a Rua da Consolação, o espaço torna-se pequeno para a grande quantidade de praticantes deste esporte, que é uma das tradições da Roosevelt. “Lá embaixo eles deixaram um pedaço, aquele ‘quadrado’, que é próprio para andar de skate, mas pela quantidade de gente que vem andar, acaba que sendo pequeno”, comenta o skatista Henrique de Oliveira.

Um dos pontos em que as opiniões dos skatistas e moradores são iguais é a de que o projeto da atual Praça Roosevelt poderia ter sido melhor, para que todos os frequentadores do local pudessem conviver de forma harmoniosa. “Quem projetou a praça não levou em consideração o histórico da praça”, afirma Raimunda Monteiro, moradora da região, referindo-se ao fato de que, durante alguns anos, o local esteve abandonado e sendo apenas frequentado pelos praticantes do skate, tornando-se um “point” do esporte na cidade.

Segundo Maria Porta, os moradores idosos também fazem queixas com relação aos skatistas. “Os idosos que moram aqui estão com medo de descer [a praça], porque já foram atropelados, insultados. Ficaram com medo. Então, não conseguem usar a praça”, diz. “A gente precisa fazer um espaço inter-geracional, ou seja, em que esses dois públicos [idosos e skatistas] consigam conversar”, sugere Raimunda.

Os conflitos mostram que há grupos querendo utilizar a praça e conviver com as diversidades culturais da Roosevelt, porém ainda não chegaram a um consenso. “As pessoas estão querendo experiências urbanas, morar em lugares que propiciem experiência urbana, cultural, sociabilidades”, afirma o arquiteto e urbanista Kazuo Nakano. 

Conselho Gestor 
Para resolver o conflito entre os grupos que frequentam a Roosevelt e propiciar a experiência urbana desejada pelas pessoas, a Subprefeitura da Sé realizou, em março, um pleito que elegeu os representantes da sociedade civil – Associação de Moradores, movimentos artísticos e usuários da praça – no Conselho Gestor da Praça Roosevelt, que terá a missão de promover a convivência e o diálogo entre os frequentadores do local. Este é o primeiro conselho gestor de praça da cidade de São Paulo. “Solução, pacote pronto, acho que nenhum de nós tem, nem a Prefeitura. Eu acho que tem que ter espaço de diálogo, de novo, mediação de conflito”, conclui Raimunda Monteiro, eleita conselheira gestora. 

*Matéria escrita em março de 2014

terça-feira, 1 de julho de 2014

Organizações auxiliam pessoas com deficiência a entrar no mercado de trabalho

Apesar de passados mais de 20 anos da aprovação do artigo 93 da Lei nº 8.213, de 1.991, - conhecida como Lei de Cotas - que obriga as empresas com 100 ou mais funcionários a reservar uma porcentagem dos cargos às pessoas com deficiência, elas ainda encontram dificuldades para entrar no mercado de trabalho. Neste contexto, organizações sem fins-lucrativos tornam-se intermediadoras entre a pessoa com deficiência e os empregadores.

Este é o caso do Instituto Pró-Cidadania (IPC), que oferece treinamento para as pessoas e às integram ao mercado de trabalho. “Nós capacitamos, qualificamos e encontramos oportunidades de trabalho para elas”, afirma Sandra Bosquilia, do Departamento de Projetos Especiais da instituição.

De acordo com Bosquilia, o IPC busca encontrar as habilidades e áreas de atuação no mercado de trabalho onde a pessoa com deficiência poderá desenvolver o potencial dela. “Cada pessoa tem um potencial diferenciado. Não é porque ela tem uma deficiência que ela seja ineficiente”, afirma.

Segundo José Carlos do Carmo, coordenador do Programa de Inclusão da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em São Paulo (SRTE/SP), um dos argumentos utilizados pelas empresas para justificar o não cumprimento da Lei de Cotas é a falta de qualificação da pessoa com deficiência. “Se a empresa não quer contratar porque não tem gente capacitada, então contrate e capacite”, argumenta.

Contudo, ainda de acordo com José do Carmo, há empregadores que contratam a pessoa com deficiência e investem em cursos de capacitação, mas não a incluem na rotina diária da empresa. “A pessoa termina uma capacitação, vai para outra capacitação e não põe os pés na empresa”, explica.

Na última semana, o Centro de Apoio ao Trabalhador (CAT), da Secretaria Municipal de Desenvolvimento, Trabalho e Empreendedorismo de São Paulo (SDTE) anunciou a abertura de 675 vagas para profissionais com deficiência ou mobilidade reduzida. Deste total, 341 postos de trabalho eram destinados ao cargo de recepcionista atendente temporário.

Para Bosquilia, geralmente, as vagas oferecidas pelas empresas às pessoas com deficiência não são para cargos como, por exemplo, de gerência, mas para setores operacionais. Ela, também, desmente o argumento de que falta mão de obra qualificada. “Nós temos milhares de alunos que terminaram a faculdade, tem duas ou três graduações, falam dois ou três idiomas, com muito conhecimento, que já fizeram até cursos fora [do país]”.

Porém, nem sempre as empresas não cumprem o que está previsto na Lei de Cotas por má intenção, mas, segundo José do Carmo, por se manterem em uma posição cômoda. “As empresas, muitas vezes, alegam isso [falta de mão de obra], e a gente ouve isso com muita frequência, nem sempre é por maldade, não porque a empresa não quer contratar, mas no mínimo eu diria que seja por uma situação de comodidade”.

*Publicado também na Rede Saci em 8 de maio de 2014

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Entrevista: Bruno Paes Manso

Em entrevista coletiva a estudantes de comunicação do 7º Curso Descobrir São Paulo, Descobrir-se Repórter – projeto da Oboré –, na Câmara Municipal, o jornalista e blogueiro do portal do jornal O Estado de S.Paulo, Bruno Paes Manso, comentou sobre a cobertura de segurança pública da mídia brasileira.

Segundo Bruno Manso, alguns programas da mídia brasileira que fazem cobertura policial, como o Cidade Alerta, apresentado por Marcelo Resende; e Brasil Urgente, por José Luiz Datena; não são jornalísticos, apenas “entretêm” o público. “Acho que esses programas são programas de entretenimento e não são programas de jornalismo”, afirma.

Para Manso, alguns programas fazem entretenimento,
não jornalismo
Manso compara os programas às execuções de penas de mortes realizadas em praça pública na Idade Média, as quais eram assistidas por toda a população quase como um “entretenimento” e utilizadas para se fazer justiça e exemplar o povo. “O Datena e o Marcelo Resende fazêm um pouco isso. O Brasil é um país sem justiça, onde as pessoas sentem falta de punição, elas querem um bode expiatório, querem se sentir seguras, elas precisam disso. E eles fazem o papel do palhaço, que é o carrasco que vai enforcar as pessoas. De certa forma, simbolizam isso. Assim como outros programas sensacionalistas que lidam com essa questão a partir do medo que as pessoas sentem e a partir do papel de carrasco que eles fazem pra lidar com isso e representar o justiceiro da sociedade. Isso é entretenimento para mim, isso não é jornalismo”, justifica.

Para Bruno Paes Manso, os jornalistas que cobrem segurança pública devem saber compreender o discurso das fontes e olhar o fato não de forma isolada, mas contextualizá-lo para tentar entendê-lo. “Você [precisa] se colocar no lugar da pessoa que está te contando e tentar entender o que ela está te falando, o que está sentindo, as razões dela”, diz. “Claro que eu não vou concordar com o cara que matou trinta pessoas, mas é necessário entender a racionalidade e o discurso”, completa.

A boa cobertura jornalística de segurança pública, de acordo com Bruno Manso, é aquela que busca, após ter o contato com as fontes, se distanciar do fato e olhar por “cima” para enxergar o contexto e tentar entender todos os fatores. “Você se afasta e tenta entender os conflitos que estão em jogo. Você tenta descrever o fato de uma forma mais objetiva para falar sobre os conflitos. Por que esses conflitos estão acontecendo? Por que ele está matando? Por que a justiça não está agindo? Você vê de cima a coisa”, explica.

No portal do Estadão, Bruno Manso publica no blog “SP no Divã” textos sobre segurança pública. De acordo com Manso, o objetivo do blog é fazer as pessoas enxergarem e pensar a respeito dos problemas da cidade para tentar resolvê-los. “Quando você procura um psiquiatra ou analista, você está com problemas, quer pensar sobre sua vida. Então, você senta lá e quer começar uma investigação sobre os seus ‘podres’”. Desta forma, “é possível encará-los de uma maneira diferente”, comenta. 

 *Publicado também na Casa dos Foca