Após enfrentar o caótico trânsito da cidade de São
Paulo, agravado pelos protestos nas principais vias, Eduardo Belo – colaborador
do Valor Econômico e da editoria de economia da Revista Brasileiros – conversou
nesta quarta-feira, 14 de maio, com alunos do curso de jornalismo da
Universidade Anhembi Morumbi (UAM) sobre o tema Grande Reportagem. Belo
falou também a respeito da polêmica das biografias não-autorizadas e a relação
entre jornal impresso e internet.
Segundo o jornalista, uma grande reportagem não necessariamente deve abordar um assunto que ainda não foi tratado pela imprensa, porém é preciso que esta tenha um ângulo diferente das demais. “O que vai fazer a diferença é a abordagem e o tratamento original”, afirma Eduardo Belo.
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| Belo conversou com estudantes da UAM sobre grande reportagem |
Desta forma, o repórter tem que sempre se preocupar em apurar se os dados coletados são, de fato, verdadeiros. Contudo, não basta apenas preocupar-se com os números e estatísticas, mas também com os acontecimentos. “É necessário que o jornalista não só se preocupe com a exatidão dos números e dos dados, mas também com a dos fatos”, aconselha, pois o jornalista deve sempre buscar fazer a versão mais aproximada da verdade.
Por ser um jornalista especializado na área de economia, Belo conta que uma das dificuldades dos jornalistas especializados é a dependência de informação das mesmas fontes. Geralmente, é prática comum nas redações ter duas ou três fontes para falar sobre determinados assuntos, porém isso torna o jornalista dependente dessa informação, que pode ser errônea.
Biografias
A polêmica gerada pelas biografias não-autorizadas, no começo do ano, também pautou a conversa com os estudantes de jornalismo da UAM. Eduardo Belo, em parceria com a jornalista Ana Claudia Landi, escreveu Apenas uma Garotinha: A História de Cássia Eller e, segundo ele, encontrou algumas dificuldades para fazer a obra sobre a cantora. Para Belo, a dependência da autorização do biografado é censura. “O artista vive do que se não da sua imagem?”, justifica. Contudo, o biógrafo deve ter a consciência de que nem tudo tem a necessidade de ser publicado, pois muitos fatos a respeito do biografado podem apenas estereotipar a imagem deste e não acrescentar informações relevantes. “Acredito que cabe um bom senso”, orienta.
Jornal impresso x Internet
Os jornais impresso, atualmente, publicam muitas informações que o leitor já obteve acessando a internet. Sendo assim, algumas matérias tornam-se redundantes. “Essas coisas que afetam o dia a dia do cidadão, e que podem ser obtidas em um clique, deixou de ser prioridade do jornal impresso”, explica Belo. Para ele, “o jornalismo ainda não encontrou um modelo econômico para conviver com internet”.
Uma das alternativas para diferenciar o jornal da internet e aumentar as vendas do primeiro é a aposta na produção de grandes reportagens, pois, apesar da relutância dos empresários do ramo jornalístico por causa dos custos, a grande reportagem pode ainda despertar o interesse dos leitores. “As pessoas talvez não sintam falta [da grande reportagem], mas se você começar a oferecer, elas vão se interessar”, diz o jornalista.
Conselho
Ao final da conversa com os estudantes, Eduardo Belo ressaltou a importância de o repórter não confiar na primeira informação que chega e recusar “coisas fáceis”, não apuradas corretamente. Sobre isso, Belo deixou um conselho aos jornalistas em formação: “Façam-se respeitar como jornalistas”.

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